domingo, 20 de maio de 2018

Pelo teto que goteja

O teto goteja, goteja muito. É como se a razão estivesse encharcada de emoções e não conseguisse falar mais, nem utilizar dos sentidos das palavras para fundar uma lei, seu outro hábito. O teto goteja e impede de ser mais racional.
Quando goteja eu percebo que não inventei filosofias em mim, não inventei aprender, só desaprender, não inventei costumes, não inventei brincar, não inventei desenhar, não inventaram sonhar. O teto goteja e persiste essa repetição. Eu reparo na repetição a dor, e comungo que agora há tanta vida e tanta morte, que ambas se unem e se objetivam em si, em uma só. Não se separaram. Há tanto barulho de crianças por aí, nos corredores, seus gritos, ora infernais, não cansam nem para cessar, elas sorriem e dependendo colorem um imaginário. Mas há também tanto câncer, gente deitada olhando para seus filhos, esperando as horas passarem para concluir algo incalculável. Há tanto/a gente respirando nisso tudo.
Ainda goteja tanto pelo teto que escorre pelas paredes também. Há tanta vida e morte. Não há tempo para poder e posse entre pares, não há força e leis entre a espontaneidade, há um rio que segue, um fluido que transborda. Goteja. Há tanto choro, porque razão e emoção se fundem e não sabem mais delimitar cada qual o é! Há tanta vida e morte que pulsa, que você deseja, agora, tudo ao mesmo tempo. Há tanta vontade, mas não inventei filmes aqui, não inventei escritas, não inventei vigor, não inventei atitudes.
Goteja pelos tetos, e você insiste em virar amor no coração, vocês insistem em perdurar nos fanerons, insistir pela mente em construir a cada milésimo de segundos outras coisas a qual me apeguei ali, antes desses outros milésimos. Insistência pela mudança, rotatividade. Pára de gotejar, fica leve. Tudo vira poesia e permutas de narrativas de amizades. Descanse em paz.


quinta-feira, 19 de abril de 2018

A saída portátil pra dentro da espiral

Quando se começa a contar uma estória de amor, se brinca, se joga, se inventa, se esconde, se pega, se sexo, se emociona, se deve, se ganha, se perde, se conta, se lança, se prende, se submete, se livra, se junta, se cria, se transa, se ama, se fode, se junta, se argumenta, se salva, se castra, se deseja, se aliena, se transcende. Na perversão do "se" nada se faz, se algo...
Na construção de uma narrativa de desvínculo, de esvaecimento, o que aprende-"se" é olhar e observar a elasticidade da vida, da tensão e duração do tempo e do espaço acontecendo em você-s-, sem que percebam. É como! em um momento aventurar-se nas volta de um movimento espiralado, do rodopio do vai e vem, de quase achar que é a mesma coisa, mas não é. Quando se vê de perto é quando está distante, parece que se vê mais nítido. Problema de visão.
No erro da escrita que se ajunta em letras no êxtase da escrita que performa, que ama, que não se enxerga os erros das acordadas normas e regras que punem a selvageria do ritmo, do pulsar. Quando então se pára de escrever, se distancia e lê o que se dedilhou nota-se exagerados erros ortográficos, que estão em desacordo com a norma. Nessa hora pára e pensa, que se dane a norma, que lindo foram os exageros! Que lindo sempre é o tempo exagerado que passa e que fica.
Na assinatura fica resquícios.


sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

TRANS-recomeço

Quando penso em trevo, surge a pouca antipatia nos trevosos reconvexos. Na fúria e inutilidade de guardar o processo o estimado agente fugiu com o texto de enigmáticas palavras de recomeço. Essa entidade fugiu com a criatividade que não é minha e nem é sua, dilacerou uma falsa poiesis, criticou a capacidade de permuta e de liberdade.
A percepção de TRANS é justa e incontrolável, agora o chaos faz dessentido jubilando uma esfera que não custa e não costura os pensamentos. A ira da tarde esteve no holocausto do vazio e da inexatidão das coisas. Antes houve hesitação, êxito e inexato e uma troca de rimas chulas, cheios de gotas de desejos.
Houve outrora romantismo e uma busca do entardecer, de luz de cinema clichê... comedidamente fundiu-se ao desespero e o perdido, nada foi salvo e o espectro que durou cerca de seis anos quis devir-beleza, mas foi tramado pra ser nada mais do que é: isto!
Foi-se o tempo dos grandes chafurdos, mesquinhos e carentes deuses... a invenção do agora acaba neste exato momento, tremendo, chorando, agonizando em regozijo. No tempo seleto, na trama dos ímpios e na desfeita dos puros, na calcificação dos seres impiedosos e paradoxais.