domingo, 16 de setembro de 2012

imagens orgulhosas, imagens que sofrem, imagens que calam

Tanto tempo percorre as imagens e seus flashes. Heráclito pressagiou o sentido do tempo metaforizando o rio que nunca é o mesmo, que percorre, que processa.
Quando criança explicaram coisas más com um olhar maldoso, nasceu a imagem orgulhosa, ressentida, medrosa, despontente. A imagem sofredora de agora carregou a pressão dos subúrbios, do escasso, da indisposição, da falta de paciência, por isso gostava tanto da sensação da fumaça que estampava nuvens. Estas nuvens que são formadas pelo calor incidente nos rios. Vejamos que o tempo evapora também. E o tempo e a fumaça cansaram e quiseram orgulhos, sofrimentos e silêncios.
Amanhã chega o dia de mais um acolhimento dos expurgos da fumaça e do tempo. A imagem cansada sofre pela dor, e silencia ardorosamente para o bem das várias imagens infantis e orgulhosas que não mais se cumprimentam, nem bom dias e noites, só balbucios.
O que preocupa aqui, esta imagem orgulhosa, não é o diálogo mas, as cores que não são tão intensas. Estas cores das imagens orgulhosas brilham na segunda porque um monte de boas palavras acolhem seus tons, dão contrastes e perspectivas futuras. Mas a imagem que agora sofre tosse e incha sua superfície/aparato, (isso(!) o envolucro/envoltório) desperta sentimentos que as imagens orgulhosas não querem expor, porque são sentimentos mesquinhos e tiranos.
É porque antes nenhuma imagem preocupava-se com a imagem maculadora do inimigo invisível. As imagens mentais, ou este inimigo invisível, mora no coração das imagens orgulhosas, temerárias e caladas. É preciso dizer realmente o que deixou de pensar, é preciso também, contraditoriamente, parar de falar e de pensar, porque os pensamentos das imagens não as situam no presente, porque o rio já passou, por isso que o outro filósofo, Deleuze, disse para ficarmos quietinhos. Desde que a imagem saiba que seja tudo impermanente permite-se os pensamentos, enquanto durem, daí podemos conversar no próximo post sobre as imagens humildes, alegres e saudáveis.



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