sábado, 18 de fevereiro de 2012

linhas (des)encanto da cidade 1

Na margem do asfalto as fezes do seu cachorro/
e mais adiante os rastros do odor dos pés descalços da moça
Ela me abordou e pediu um cachorro-quente. eu disse que sim, mas tava fechado
tem o supermaia. ok! perguntou se tinha vergonha d'eu pagar por um programa. comprei 4 pães, queijo fatiado,
presunto, fanta uva e um pacote de camisinhas. despedi-me sem os gozos/
os sôfregos dignos da noite já não andam, rastejam, pedem favores. cria crina das crianças bandidas/
 igual pac man, passa um veloz, outro menos, mais um, vem outro, sem farol, com farol, olha lá aquele outro, vai bater neste daqui, cuidado.
meia hora depois a ambulância carrega os corpos mortos.
Só a carne fétida. mas somos felizes.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

devir-beleza

depois da menarca...desabrochou...tornou-se. outros...agenciamentos, nossos encontros, conexões!           "É possível que a amizade se nutra de observação e de conversa, mas o amor nasce e se alimenta de interpretação silenciosa"...dizer aquilo ao aquilo outro, despedaça a timidez...
mas cria o desejo de despertar algo melhor! Sede feliz...crede na silenciosa...amorosa solidão nos nos percalços.
Foge, finja, franja, dobre, mas não negue a cada instante e tenra fluidez dos nossos interstícios.






...é o meio do devir-amizade, é esta a beleza...

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Sitiados - crônica de uma não-revolução

Quando apontei a esquina vi que lá não poderia mais esquinar...todos estavam em prantos/choros/ alguns gozos.
Perguntei o que fazer? E eu mesmo respondi: nada! "nada melhor do que nada na cuca" "gozar,com você"
Porém o desespero dos términos dos minutos, dos ponteiros corriam rapidamente...e lá na multidão, já não se viam os contornos, só aflição. O tempo não quis parar. Tornei, retornei, enfrentei. Porque o outro estava sem funcionar direito. Estas foram as palavras/charges de rostos de cúmplices. Descreditei os méritos de outrora, o zangão fugiu/mentira, está aqui. Mas adianta o quê? O bando é só mais um bando. O sítio, o sitiado e o sitiante só querem o mesmo. COMO DIZ MOroso em inglês? foi essa brincadeira mesmo, fajuta, simplória. Mas tá formigas no inverno/verão. Trapaceando o vão entre as brechas do existir.

o jogo tá entregue.
Ah, lembrando que nunca quis dizer sobre os maus hábitos,mas eles mesmos perfilam com este jogo de letras.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

No desespero do acalanto da cidade


Desde que vim aqui/ a ter/ater-se contigo nunca vi tão belas e enigmáticas sonoridades saírem da sua causa justa/que nem saia, que saía das suas entranhas.
O mesmo pavor da dor vociferada  daqueles outros que passavam sem parar é o que compartilho aqui nas doces páginas dos devaneios. Quando lá na praia eu curti o abraço fraterno de Fellini, senti que seu odor não dizia coisa com coisa, nunca ultrapassavam essências de egos que nunca diluídos tornavam-se 8 e ½.
É assim que me porto, antes, logo ali: cansar de escrever e pensar dos filetes do meu emaranhado, das favas da vida entre o amor e o desagrado familiar e as falcatruas do abraço diário do fazer mais que repetitivo e banal do meu ganha troco.
Em busca das querelas do dia que amanhece sempre muito utópica e termina e feixes e faróis, entre o fétido odor da “marmita” empapuzada de bolor. Só vejo o que resta, são trapos, somos trapos do inatingível... das beiras, dobras da multiplicidade.
Os míseros! Eu quero os míseros, eu quero acabar de vez com o prazer que iniciou e forjou uma representação de mim, uma falsa identidade do profeta que fingia com as palavras das performances de/do ser. Mas calma! Tem espaços que as imagens germinam potências: olha elas aí! Você veem tbm? – esquizo.

Escuto lá no rádio: o dia anoiteceu e trouxe consigo a paz e a tranquilidade das pessoas que agora se encontraram com seus filhos, mulheres, maridos, amigos, comendo, bebendo, conversando, trocando informações, gracejos, afetos.

Caos espiral, Wolney Fernandes




Sigo agora para o emaranhado.