sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Manifesto para expressar algo sem explicação

1. me manifesto denunciando (manifesto minha perplexidade diante da escravidão ao binarismo) a escravidão do binarismo e suas dinâmicas sociais que se disfarçam nas suas múltiplas e imbricadas combinações,

2. me manifesto denunciando a (manifesto minha perplexidade diante da escravidão) escravidão esquizofrênica dos termos inventados pelos novos filósofos, novos religiosos, novos cientistas que abominam o passado. Então, por favor paremos de pensar e de escrever.

3. me manifesto denunciando (manifesto minha perplexidade diante deste) este momento que não sabemos se configura um tempo presente amarrado no passado e aprisionado pelo futuro. Não, não pensemos em tempo cronológico nem em tempo subjetivo, não pensemos em nada, que é o mesmo que pensar em tudo. A isto que chamam de pós-modernidade, líquida, tardia, pós-industrial, que tirou o conforto dos fracos e oprimidos e dos razoavelmente confortados, ou dos loucos sempre pensantes e nunca conformados. Em resumo, me manifesto denunciando o movimento novo e desconhecido e ao antigo movimento que parecia inerte.

4. me manifesto denunciando (manifesto minha perplexidade diante da) a cultura e religiosidade mutante! Um viva?! Um viva à mudança, ao movimento, ao diferente, ao hibrido, à multiplicidade e à diversidade.....

5. me manifesto ( contra ou a favor) à minha inserção em grupos, em pastiches, em estereótipos, mesmos que estes grupos possam ser apenas eu mesmo.

6. me manifesto à busca da razão, independente do quão clara e cheia de luz ela for, e tão escura quanto pareça. Pois está aí embutido o mesmo pensamento grego platônico que constitui o mundo ocidental e que desmazela o oriente hoje.

7. me manifesto contra e a favor das “muletas”, uma necessidade da humanidade! Daqui a pouco vou utilizar de muletas acadêmicas, pois antes de tudo esse texto tem um fim que é também acadêmico. Mas podemos brindar, de certo modo, as muletas da fala, da escrita, da espiritualidade e metafísicas, da política, da ética, da moral, e quase todas as coisas que utilizamos para codificar o caos e forjar uma realidade.

8. me manifesto a mim e a todos que perderam seu tempo lendo, pois poderiam estar fazendo coisa muito mais edificante.

Um comentário:

  1. Me manifesto contra a necessidade de manifestos. Se bem qye se eu mae manifestar, vou estar sento incoerente me manifestando. E se não me manifestar, acabo concordando com os manifestos porque quem cala consente. Vou sumir!

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