sábado, 17 de julho de 2010

O começo do nada

Dentro do caos e das várias possiblidades de realidades que interagem continuamente no mesmo espaço-tempo, eu peço que nada esteja razoavelmente confortável e racionalmente subjetivo.
Ao esboçar este, não pretendo dizer algo realmente de concreto, mesmo que isto já seja uma concretude, mas nunca haverá unanimidade, sempre contrariedade. Estou almejando jogar com as palavras e com tudo que já foi dito e pensado, pois este também tem sua força. Se este for mais um discurso que o seja similar ou coincida com outros pensamentos, não vou pedi perdão, pois utilizo daquilo que está ou foi lançado no caos.

2 comentários:

  1. Não precisa pedir meu caro caótico ser, nada será razoavelmente confortável e racionalmente subjetivo visto que seu ponto de vista caótico assim não lhe permite. Dentre as várias realidades que interagem no mesmo espaço-tempo, existe uma realidade construída para o conforto, mas quem toma a "pílula vermelha" jamais volta a enxergá-la como única realidade possível, de modo que o conforto passa a ser artificialmente construído e com prazo de validade...

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  2. Ok, já não tenho mais ares de intelectual, no entanto ainda resta algum vestígio de gosto pelos poetas sentimentalmente caóticos, pois tudo que eu almejaria dizer, eles já o disseram (e bem dito!)... Rsrs...assim deixo a palavra para o MAGO da língua portuguesa, Fernando Antonio Nogueira Pessoa.

    P.S. Allex, vc já leu Caeiro? Acho que te daria uma ótima inspiração.

    Esta velha angústia - Álvaro de Campos

    Esta velha angústia,
    Esta angústia que trago há séculos em mim,
    Transbordou da vasilha,
    Em lágrimas, em grandes imaginações,
    Em sonhos em estilo de pesadelo sem terror,
    Em grandes emoções súbitas sem sentido nenhum.

    Transbordou.
    Mal sei como conduzir-me na vida
    Com este mal-estar a fazer-me pregas na alma!
    Se ao menos endoidecesse deveras!
    Mas não: é este estar entre,
    Este quase,
    Este poder ser que...,
    Isto.

    Um internado num manicômio é, ao menos, alguém,
    Eu sou um internado num manicômio sem manicômio.
    Estou doido a frio,
    Estou lúcido e louco,
    Estou alheio a tudo e igual a todos:
    Estou dormindo desperto com sonhos que são loucura
    Porque não são sonhos.
    Estou assim...

    Pobre velha casa da minha infância perdida!
    Quem te diria que eu me desacolhesse tanto!
    Que é do teu menino? Está maluco.
    Que é de quem dormia sossegado sob o teu teto provinciano?
    Está maluco.
    Quem de quem fui? Está maluco. Hoje é quem eu sou.

    Se ao menos eu tivesse uma religião qualquer!
    Por exemplo, por aquele manipanso
    Que havia em casa, lá nessa, trazido de África.
    Era feiíssimo, era grotesco,
    Mas havia nele a divindade de tudo em que se crê.
    Se eu pudesse crer num manipanso qualquer -
    Júpiter, Jeová, a Humanidade -
    Qualquer serviria,
    Pois o que é tudo senão o que pensamos de tudo?

    Estala, coração de vidro pintado!

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